"Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim."

terça-feira, 17 de maio de 2016

poema da flor

















Havia uma flor no caminho
No caminho havia uma flor
Sozinha
Não faz primavera
Caída
Denuncia o outono
E apesar de doer a queda
Ela entende que de sua pequena morte
Vem a renovação
Vida
Em um novo botão

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O imediatismo das relações

Às vezes a necessidade de amar pode atropelar o tempo natural das coisas. É bom ter um pouco de calma e deixar que o beijo dure, que abraço aqueça e que o silêncio fale. Intimidade é uma coisa que se constrói no presente, no calor de cada momento, a cada conversa, olho no olho. Tentar antecipar o futuro e pular todas as etapas de uma relação é decretar seu fim antes mesmo que ela comece. Há o tempo de observar, absorver e concluir. O amor tem um tempo.

Incomodam aquelas pessoas que não sabem viver um bom namoro no seu início e tentam, a todo custo, manter um "controle" da situação, ostentam segurança e enchem a boca pra falar as mais lindas juras de amor, quando na verdade estão desesperadas por um chão, ensandecidas em sua falta de experiência.

Mal sabem que correm um grande risco de perder a pessoa a quem destinam - ou pelo menos tentam destinar - seus corações carentes. Correm esse risco porque não são verdadeiras, nem com o outro e nem  antes, consigo mesmas. Insistem em não assumir suas falhas, em provar que sabem lidar com a situação - mesmo que nova e diferente de tudo o que já viveu -,  insistem em manter o controle e até ousam prever o que acontecerá. 

Ah, se tivesse uma receita, um manual de instruções... Pobres seres humanos! É preciso viver com verdade, com incerteza, com desconforto, com mal estar e com vazio, mesmo. É preciso saber esperar, mesmo que o vazio do coração e a vontade de preenchimento gritem e esperneiem na alma.