"Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim."

terça-feira, 21 de agosto de 2018

ser infinitesimal

imagina como deve ser para as formigas
um arbusto, toda a floresta amazônica
os matinhos do meio fio, árvores imensas
nós, seres humanos
um mistério completo

no mundo das formigas
nosso mundo é como a galáxia
como o resto do universo é pra nós
de seres inimagináveis que indagam:
imagina como deve ser para os terrestres

e nesse ciclo infinito
quem dirá o que é a vida ou a verdade
senão um completo mistério
um nada e um vazio?

não há mais o que dizer
a palavra não mais cabe
ante a vastidão do silêncio
o vácuo é a grande casa
nele cabe tudo ou quase tudo
é onde habita o mundo?

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

de rio e de mar / águas do Pará

E se eu rio e choro
Eu, oceano 
Me derramo, me demoro 
Deito 
No leito do rio 
Doce jeito de salgar 
Correnteza vai levar 
Pro rio o sal do mar 
Desaguar 
Rio resiste
Salobra ficará 
Águas fortalecidas 
De rio e de mar 

(Escrita na Ilha de Marajó, PA. 2018)

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Mil vezes mulher

Quantas vezes eu vou ter que gritar pra fazer a sociedade aceitar que o que tá errado não sou eu? Todo dia um manifesto feminista é necessário pra abrir a cabeça de mais um otário Mais um esquerdo-macho Se achando revolucionário Só põe bronca no discurso na ação é tudo igual Pensa que é o correto mas oprimir já é tão trivial Racismo velado Machismo no ato Cês tão de que lado? Discurso barato Chega a ser caricato Observo o gato No fundo, um rato Que só se preocupa com o próprio falo E na roda de amigo Deixa passar batido Não entra em conflito “ah, não precisa disso” Vai ver os números, tá tudo escrito Mais uma pra conta do feminicídio Diariamente banalizam a violência tira a mão do pau e coloca na consciência Ta achando que é mimimi? Então se liga aqui: Todo dia 12 são assassinadas Isso pra você não significa nada? 135 estupros por dia Amanhã pode ser a sua filha 42% sofrem assédio sexual Você ainda acha que isso é banal? Meu sonho é andar na madruga Na rua Escura Me sentir segura Ou então no trabalho Não ser mais um alvo De um macho safado Que abusa do cargo E o pior é que você não vê Quando questiona nossa reação Mais julga que procura entender Eu ainda não sei o porquê Como a prepotência machista toma a mente de um ser Cobra atitude da vítima e nem pensa na dor Como se a responsa fosse nossa e não do agressor Mas isso vai mudar A gente vai incomodar Vocês vão ter que se incomodar Tá na hora de começar a pensar