"Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim."

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

exaustões existenciais

ando cansada
cansada
cansada

quero mais nada
nada

de saco cheio
das coisas
de uma gente
do mundo
de mim

de rodar e rodar
e nunca chegar
nunca parar

de não encontrar

parece que sempre falta
o crucial

o meu coração 
tem um rombo
que eu insisto tampar

nada melhora
nada adianta
nem se chora
as vezes

eu to cansada
quero ir pra casa
quero ninar
quero colo
quero esquecer

a minha pirraça
me deixa cansada
quero ir pra casa
quero esquecer

a minha lágrima
me consola
quero deixar ser

to cansada
mas não vou embora
fico mesmo emburrada
com raiva
inveja
ódios
cinzas
verdades 
duras demais

to cansada
mas não abandono
nem ignoro
quero saber
quero chorar
quero viver
quero furar 
o amargo e o doce
quero jorrar 
essa merda 
até a última gota 
e entender 
de uma vez por todas 
qual é 
a do meu desejo

o que pulsa

as urgências do meu coração
elas fazem barulho
estão me contando histórias antigas
dos tempos de menina
elas borbulham
saem pelos poros
na boca 
e nos olhos

a lágrima que rega o rosto
mata um pouco a sede
enxuga a angústia
transborda o copo

se guardo, inflamo
se derramo, choro

o peito brando
bocejo enfim

- depois da chuva, o arco-íris

um pedido, tempo

tempo,
peço ajuda para acompanhá-lo
já passei correndo muito
um descompasso
ora preciso esperar
ora passar
ritmar 

você me alcança 
ou eu te alcanço?
caminho do meio
segura minha mão?
assim não me perco tanto

as vezes é desencontro
numa pressa de ver
atalhos equivocados
alongam a fio 
o que não precisa ser

ah, tempo
que difícil você
sou eu, eu sei
de insistir tanto
nessa cisma turra
de querer 
no meu tempo
o que vem com você