"Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim."

domingo, 19 de julho de 2015

Um milhão de faces da verdade

Uma história é contada sempre do ponto de vista de quem conta. Como estudante de Jornalismo, ouvi bastante sobre “lei das três fontes”, que diz que se deve consultar pelo menos três fontes de informação diferentes para confirmar um fato, uma história. O engraçado é que mesmo careca de saber que isso é imprescindível na minha profissão, não notei o quão imprescindível o é também na vida de uma forma geral. E de fato, poucas vezes apliquei essa lei na minha vida pessoal. Poucas vezes procurei outras versões.

Apurar é uma arte. Dá trabalho, envolve muita pesquisa, leitura do assunto, escuta. É preciso procurar e confirmar informações a fim de chegar ao maior número de “verdades” (e versões) possível, confrontando todas elas e para chegar a uma conclusão. Às vezes nem se chega a uma. Às vezes ela é temporária. E é uma arte porque se trabalha o ouvir, o escutar e o observar; o que vem do outro, de fora. Tira o foco de si, do que você tem, do que já sabe.

Só que é realmente difícil aplicar na vida pessoal. Já pensou em como seria se alguém te dissesse que o que você acreditou a vida inteira é uma mentira? É um choque. É desconfortável. Descontruir tudo que foi embasado em uma mentira não é para qualquer um. Exige firmeza, vontade e sensibilidade. Tudo tem seu tempo. Tempo de ouvir, tempo de entender, tempo de concluir e de falar. Mas, será que vale? Será que a “verdade” é realmente o mais importante ou a felicidade e o bem estar (ainda que superficial e mascarado)? Nem sempre a verdade convém e, em contrapartida, nem sempre o que é confortável é o melhor.

Se agarrar a uma só versão da história aprisiona o ser humano. Dá uma visão distorcida e parcial da realidade. Quantas infinitas possibilidades de situações distintas poderiam se apresentar na sua vida se você abrisse o leque de pontos de vista. Como a Alegoria da Caverna, de Platão.  É preciso se libertar das suas correntes e buscar outras versões para conhecer, de fato, a realidade. Para conhecer a história completa, real, é preciso perguntar, questionar, consultar várias fontes. É preciso ouvir o outro, um outro que você ainda não ouviu. Isso é transformador.

O risco de ser maniqueísta, de determinar um vilão e uma vítima é grande e não é assim que funciona. O exercício de ouvir o outro dá a possibilidade de notar as verdades e mentiras implícitas nas versões de cada um e de se libertar de correntes invisíveis.


“A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer, tem que destruir um mundo.” 
Herman Hesse

domingo, 5 de julho de 2015

Uma aprendizagem

Todo dia é uma aprendizagem.
Não é frase de efeito. É que quando você começa a perceber a vida com mais consciência do seu contexto e do mundo a sua volta, cada dia passa a ser uma oportunidade, na medida em que te apresenta uma situação nova para que você observe, questione, pense, absorva o que tiver que absorver e abstraia o que não servir. Assim segue sucessivamente, tirando lições daqui e dali. É construção, é processo - constante e diário. Há o tempo de ver, há o tempo de compreender e há o tempo de concluir.