"Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim."

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

o verbo

Eu poeto
Tu poetas
Ela? Poeta. Ela poeta!
Ela faz o mundo dela
Ser assim
Conversar com plantas não é coisa de gente doida
É coisa de moça que, poeta, gosta de acreditar
Eu danço
Tu danças
Ela? Dança. Ela dança!
De tanto que chega a transpirar piruetas
Gira mais que o sol, na pista imaginária que cria pela casa, por onde passa
Eu canto
Tu cantas
Ela? Ela também.
Se canta a si mesma. Em frente ao espelho. Debaixo do chuveiro.
Eu
Tu
Ela
Essa menina é o que?

É o que ela veio ser.   

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Às margens de um rio ou à beira mar, busco equilíbrio na vertigem silenciosa que é se deixar levar. Não por desleixo ou coisa assim. É que não confio apenas no que brota de mim. Tem um inteiro nada pela frente. Fundo. Absoluto. Amor? Sem fim. Não sei o que me espera. Quem dera. Poder me banhar, me emaranhar nas águas e de tão fluida, quase desaparecer.

ser em fragmentos

Ventos artificiais
Balançam meu cabelo
Olhando pela janela do trem
As gotas da chuva que ainda não veio
Eu sinto um peso no peito

Serei eu o que vim ser?
Se esse vento soprasse tudo e levasse embora até o que eu penso que eu sou
Se o dente de leão tem mais graça quando se desfaz
Voar em pedacinhos
Se deixar levar
Se não doesse tanto