"Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim."

terça-feira, 25 de maio de 2021

Declarações de uma analisante

Fazer análise é bom
A gente vai se tornando mais a gente
Se assumindo mais
A gente sai do armário
Se liberta um pouco
De si, do outro
Do Outro
Sem abdicar de trocas
A gente negocia mais
Por isso que a gente ganha mais
Qualquer coisa: dinheiro, amor, trabalho, amigos, noites de sono, prazeres diversos
A gente chora a fantasia perdida
A fantasia achada, antes
Ah, é duro
O real invade e não pede licença
Mora no peito com uma faca afiada
O espelho encara sério
Perguntas, muitas perguntas
Resposta, quase nenhuma
E melhor nem perder tempo – elas mudam, elas riem da nossa cara com contradição e mutação constantes
Eu amo
Eu odeio
Eu queria todo dia
Mas não sei se aguentaria
É foda
É lindo para caralho
E o caralho, que eu nem tenho, e me falta
A falta, feminina que sou, me preenche
Como nada mais consegue
E que bonito
O desejo
É sobre isso
Eu acho
Vou sonhando para ouvir o inconsciente
Meus amontoados sem lei
Sem lei? Não sei
Vou desenhando
Fazendo arte
Fazendo análise
Fazendo a vida
Com mais de mim

sexta-feira, 21 de maio de 2021

um gosto de que (?)

Eu comporto as duas
As várias, muitas
As coisas nuas
Ácidas ou duras
Difíceis demais
Para dizer em voz alta
Doce e linda
Azeda e insuportável
Se porta o que me cabe
Bom
Se traz o não-lugar
Aguente
Eu nunca disse que seria fácil
Sustente
E se sobreviver, fale
Vou adorar saber











sábado, 15 de maio de 2021

Pérola

Um processo lento e raro

Um recurso caro

Um grão

Um abrigo

A concha se fez esconderijo

Tenho estado como “pérola”:

Me (re)fazendo com calma.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Carta-semente

Oi,

Eu sou Camila. Uma jovem moça de 26 anos e 10 meses. Jornalista de formação, curiosa por Psicanálise e coisas do coração.

Gosto de fazer poesia com a vida, o que é quase um sexo, mas acho que mais excitante - jamais subestimando o sexo, por favor! (Inclusive gosto muito.) É que poesia é um caso a parte, realmente.

Enfim.

Meu olhar para o mundo tem sido mais vivo nos últimos dias. Não sei se pelo fim do último namoro, não sei se por vivenciar tanta morte e luto e tristeza à minha volta ou por ter saído de um poço bem fundo e depressivo e agora me sentir mais forte, mais minha, mais viva, mais aqui e agora e de coração aberto. Sobretudo, acho que isso se deve ao fato de ter percebido que não sou imortal. A vida acaba. Eu vou morrer, como todo ser humano morre. Paulo Gustavo morreu, isso me doeu de um jeito tão intenso, tão triste.

Coragem.

Essa palavrinha mágica é que tenho tentado cultivar nas minhas vísceras. 

Para viver preciso tanto dela.

Percebi que a vida é o maior presente. Tenho acordado todos os dias e desejado "bom dia, mundo!". Tão bom estar viva para dar bom dia ao passarinho, à árvore, ao ventinho e à brisa das manhãs de outono. Como eu amo o outono! No fim da tarde me inspira com as cores. No fim da noite me inspira o aconchego romântico do meu coração apaixonado e poético.

Além disso, tem encontros que acontecem que tiram a gente de órbita por alguns minutos e fazem borbulhar umas cosquinhas gostosas na barriga, invadem o peito, e a alma dá sinais de alegria. É como uma dança linda, uma vida de sentido acontecendo diante dos olhos, o brilho e o calor da chama que nos move adiante ficam grandes e querem se espalhar por entre os poros e para sempre.

É um infinito num segundo.

A intensidade de viver com presença. A calma e a cautela de existir sendo, deixando fluir, seguindo o coração, confiante na vida.

Uma carta de amor e tesão pela vida.

Deve ser isso esse escrito.

Deixo aqui. Quem ler, que receba a sensação alegre e de amor invadindo o coração e criando raízes nutritivas para uma existência sensacional, única, autêntica!

Que os sentidos se abram!

Um beijo,

Camila.



sábado, 8 de maio de 2021

aventuras no astral

Eu vou jogar pó de pirlimpimpim

Só pra você vir voando aqui

Eu sopro uma brisa pra te buscar

Vem?

A gente se dá carinho

Se conseguimos, ao nosso jeitinho

Sem pensar muito

Vem...

Passeia comigo

No astral, no profundo

No calor no cardíaco

Onde eu e você sentimos

Vem,

Fecha os olhos

Não tem perigo

Nem garantias

A brisa é leve

E o vento, amigo

Vem:

É permitido visitar

Pirilampeie no meu mundo

Pra depois de volta voar

terça-feira, 4 de maio de 2021

coração, eu te amo

 

O mundo

pode estar difícil

bem difícil mesmo

mas lembra

que o amor existe

e resiste


observa

no fundo da alma

bem dentro do peito

num lugar secreto

o amor habita

é lá onde você

pode se buscar