"Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim."

sexta-feira, 12 de julho de 2019

mundo de dentro

o meu mundo
é um escuro sensível
zilhões de pontos luminosos
relativa densidade
profunda imensidão

eu boneca russa
eu um fractal
rio em fluxo
teoria do caos

coração nas mãos

o meu coração
nas mãos
linhas que contam
medos, receios, potência
naquelas palmas abertas
me vejo
reconheço o espelho
ora fechadas pelo amargo
ora dançantes de doçura
essas mãos
naquela chuva
essa fé
me levam onde eu quiser
- eu estou aqui para mim

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Não-dito

Garganta irritada
Essência inflamada
Limite da mente
Prisão para a alma

Espelho é escuta
Escuro também
Me faço 
Me acalmo
Não fujo
Encaro
Ex-calo os muros
Mas não ouço nada

Visão detalhista 
Me leva adiante
Agonia crescente
A busca incessante

Do topo me vejo 
No pé de um penhasco
Embaixo e no meio
No meio e no alto
As várias de mim
Desbravam em si
Mil possibilidades
De ser e existir

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Você,

deu saudade de você
quando você era só você
e eu era a brisa

deu saudade de você
do que vinha me dizer
da birra do poema
da tarde de bobeira
viajando pela janela
de risinhos pela tela

é, deu saudade de você

de encontrar no astral
de ver no escuro
da fala que sente
da língua ambígua
do flerte inocente

ah, você
como é que eu posso dizer?
sou mais de subverter
sem muito entender
procuro inscrever
no que sinto
o meu querer

é, você
sopro da mata no inverno esfria
mas brisa que é brisa
não perde a magia
vem de longe
arrepia

você,
eu só queria dizer
umas brisices
alguma bobice
inspirei uns versos e disse
mas, sabe o que
é que deu saudade
de você.